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Temor de El Niño e problemas climáticos na África impulsionam nova alta do cacau no Brasil


As preocupações com o fortalecimento do fenômeno El Niño voltaram a movimentar o mercado internacional de commodities agrícolas e impulsionaram uma nova valorização do cacau. O cenário é sustentado, principalmente, pelas perspectivas de uma safra menor na Costa do Marfim, maior produtora mundial da amêndoa.

As primeiras avaliações da temporada 2026/27 indicam que diversas regiões produtoras marfinenses apresentam quantidade de frutos abaixo do esperado para esta época do ano. Além disso, tanto a safra intermediária (mid-crop) quanto o desenvolvimento inicial da safra principal estão atrasados em relação aos ciclos anteriores.

Analistas do mercado projetam que a produção do país fique entre 1,7 e 1,8 milhão de toneladas, uma redução significativa frente às cerca de 2,2 milhões de toneladas registradas na safra 2025/26. O recuo é atribuído aos impactos das fortes chuvas que atingiram o país, provocando alagamentos nas lavouras, atrasos na colheita e dificuldades logísticas para o transporte da produção.

Além dos prejuízos imediatos, o excesso de umidade aumenta o risco de proliferação de doenças fúngicas e pragas justamente durante as fases mais sensíveis de formação e maturação das vagens, elevando ainda mais as preocupações quanto ao potencial produtivo da próxima safra.

O cenário também inspira atenção em Gana, segundo maior produtor mundial de cacau, que igualmente enfrentou episódios de chuvas intensas. Ao mesmo tempo, cresce a expectativa de fortalecimento do fenômeno El Niño na segunda metade do ano, condição que pode intensificar o Harmattan, vento quente e seco característico da África Ocidental.

O fenômeno reduz a umidade do solo, aumenta o estresse hídrico das plantas e pode comprometer ainda mais a produtividade das lavouras.

Diante das incertezas climáticas e da expectativa de uma oferta mais restrita na África Ocidental, o mercado segue atento aos próximos desdobramentos, que poderão manter os preços do cacau em patamares elevados nas próximas semanas.

Fonte: mercadodocacau
 radiosaovivo.net